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As sirenes de tsunami vão soar em Lisboa, mas apenas sete freguesias têm planos de emergência divulgados

A serenidade da zona ribeirinha de Lisboa será interrompida esta terça-feira, 24 de março, por um som que ninguém quer ouvir a sério. Entre as 10:30 e as 12 horas, quatro sirenes de alerta tsunami vão ser ativadas. É apenas um teste, um ensaio de segurança chamado LisbonWave26, mas carrega o peso de uma pergunta desconfortável: e se a terra tremesse agora e o mar subisse? Estaria Lisboa preparada?

Lisboa vive a cor de laranja. A organização European Facilities for Earthquake Hazard and Risk (que avalia riscos e perigos sísmicos) divulgou um mapa onde a cidade aparece assinalada como uma zona com probabilidade sísmica relevante à escala europeia. E, entre os países europeus, os portugueses são os que demonstram uma maior inquietação com as consequências das catástrofes naturais (91%), revela o Eurobarómetro no início do mês de fevereiro deste ano.

Mas, em Lisboa, a segurança parece depender da rua onde se escolhe morar.

A prevenção é um puzzle incompleto onde, das 24 freguesias da cidade, apenas sete mostram aos cidadãos ter o “mapa de sobrevivência”: o Plano Local de Emergência (PLE).

Mas afinal, o que é um PLE e como nos pode salvar de um tsunami?

Já deve ter visto, pelas ruas de Lisboa, uma placa que indica o “caminho de evacuação” em caso de perigo de tsunami. Foram implementadas em 2022 e podem até assustar os cidadãos, lembrados do risco que corremos, mas são uma das várias medidas de prevenção que a Câmara Municipal de Lisboa está a tentar endereçar. Ainda que o aviso de tsunami só aconteça quando é registado um sismo de 6,0 ou mais na escala de Richter (o desta semana foi de 5,3), há maneiras de prevenir danos maiores.

Um deles é o chamado o Plano Local de Emergência.

O PLE é um documento onde cada junta de freguesia da cidade mostra o plano de prevenção e ação numa situação de risco a nível local (de freguesia) – como, por exemplo, no caso de um sismo de grande escala, ou até mesmo… um tsunami.

O projeto foi elaborado pela Câmara Municipal de Lisboa em 2018, para prevenção de todas as Juntas de Freguesia da Cidade. E o plano de cada freguesia deve refletir as diferentes características de cada uma: a área total da freguesia, o número de habitantes, a posição geográfica ou até o número de pessoas em situação de sem abrigo registados na localidade.

Como é o caso de Arroios, que no site disponibiliza o mapa de pontos de encontro de emergência, mas o PLE completo está sob consulta. E o Lumiar, onde a junta lançou o projeto “Lumiar Protege”, que disponibiliza online o mapa de pontos de encontro e instruções de emergência específicas, mas ainda tem o PLE fora do alcance digital.

Após contactarmos todas as freguesias, Ajuda, Areeiro, Avenidas Novas e Benfica asseguraram estar em processo de desenvolvimento ou mesmo finalização do PLE. No caso de Campolide, o plano encontra-se concluído mas aguarda o parecer da câmara.

A freguesia da Estrela, que não dispõe de um PLE, diz ter um alarme de tsunami instalado e que tem participado em cenários de teste, como o “ Fénix25” – um exercício, por iniciativa do Exército Português, que testou a capacidade de resposta em situação de calamidade.

A maioria das juntas de freguesia dispõe de uma Unidade Local de Proteção Civil, isto é, responsáveis destacados para atuar e organizar a freguesia se existir alguma ocorrência.

Saber para onde ir pode fazer a diferença

A eficácia de um PLE depende também da sua atualização. Numa situação de emergência, informações como locais de abrigo, equipas responsáveis e pontos de encontro podem ser determinantes e, com o tempo, tornam-se facilmente desatualizadas.

O Plano Local de Emergência da Junta de Freguesia dos Olivais, atualizado em 2023, por exemplo, mostra um mapa geral da freguesia para compreender a distribuição das zonas de apoio em caso de desastre.

Nos Olivais, identifica-se aqueles que são os principais meios e recursos nas primeiras horas, após uma ocorrência: pontos de abastecimento de água, distribuição de alimentos, postos de primeiros socorros e locais de abrigo temporários. Listas que são acompanhadas de moradas e números telefónicos específicos.

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