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Enfermeiro suspeito de abusar de mulher em Loures

A mulher abusada sexualmente por um enfermeiro de 42 anos detido na semana passada pela Polícia Judiciária (PJ), na área da Grande Lisboa, decidiu denunciar publicamente o crime, numa entrevista dada ao jornal brasileiro O Globo e publicada hoje.

Segundo Maíza Dias, de 50 anos, o crime aconteceu no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, enquanto recuperava de uma operação e estava sedada, no momento em que era transferida da sala de cirurgia para um quarto, no passado dia 2 de abril.

“As camas são divididas por cortinas e ele [o abusador] entrou no meu leito para pôr elétrodos. Eu estava sedada, coberta por um lençol, que ele levantou”, contou, revelando que, depois, o enfermeiro já afastado e detido, tocou-lhe no peito, com as mãos e com a boca.

Maísa, que tem nacionalidade brasileira, recordou ainda que não se conseguia mexer. Apenas abriu os olhos ao despertar com o que o enfermeiro estava a fazer ao seu corpo.

“Senti dores. Abri os olhos e vi o que ele estava a fazer. O batimento cardíaco disparou, mas ele não percebeu que eu vi o que ele estava a fazer. Fiquei quieta, com medo dele e de morrer. Que ele envenenasse o meu soro”, realçou, lembrando que estava anestesiada da cintura para baixo, pelo que não sabe se ele fez algo mais.

Para a paciente, que tinha sido submetida à primeira de duas “delicadas” cirurgias, o que o enfermeiro fez foi mais do que abuso. “Considero ter sido violada. Se ele foi capaz de fazer aquilo em cima porque não seria em baixo? Eu vi uma câmara. Porque é que ele fechou a cortina?”, notou.

A primeira pessoa a quem Maísa, que vive em Portugal há seis anos, contou foi à mulher, quando a foi buscar ao hospital.

No dia seguinte, ambas dirigiram-se à Polícia de Segurança Pública (PSP) para apresentar queixa e o caso foi encaminhado para PJ.

A mulher descreveu o suspeito à autoridades. “Calvo, olhos claros, branco e com tatuagem” e, posteriormente, reconheceu-o entre três suspeitos. O enfermeiro em questão foi então detido mas, após uma noite, libertado.

O profissional foi afastado das suas funções no hospital e está impedido de contactar Maíza e o local de trabalho. Mas para Maísa isso não é suficiente.

“O hospital nem sequer mandou mensagem para mim, só uma médica perguntou sobre a cirurgia. E ainda tenho que fazer a segunda [cirurgia], mas já não confio naquele lugar”, sublinhou.

Segundo O Globo, Maísa pediu apoio à Segurança Social para conseguir pagar a um advogado, mas não conseguiu. Vai ter direito a ajuda psicológica, mas só dentro de seis meses.

“Preciso da ajuda porque é traumático. Não sei como voltarei a trabalhar. E com idosos, que já sabem”, salientou Maísa, que é esteticista, mas trabalha como cuidadora em Portugal.

Entretanto, um advogado aceitou defender Maíza ‘pro bono’.Ao site brasileiro, a mulher garantiu que não consegue dormir e fica o tempo todo a ver as notícias para saber se há alguma uma novidade sobre o caso.

“Mexeu comigo, não consigo me concentrar. É como se tivesse morrido um familiar”, revelou ainda.

Apesar de ter medo que o enfermeiro a persiga, Maísa não conseguiu ficar calada. O objetivo é alertar outras mulheres para este tipo de abusos e, quiçá, eventuais outras vítimas do suspeito.

“Atos sexuais de relevo”

No passado dia 10 de abril, a PJ anunciou a detenção do enfermeiro em questão e revelou que o mesmo era suspeito de ter abusado sexualmente da vítima, na sala de recobro, quando esta ainda estava sob o “efeito de sedação”.

A mulher, revelou então a Judiciária, foi “sujeita à prática de atos sexuais de relevo” por parte de um enfermeiro, também estrangeiro, do hospital onde se encontrava internada.

Para chegar ao suspeito, os inspetores contaram não só com a descrição da vítima, como com a ajuda do hospital público onde o crime ocorreu.

As medidas de coação aplicadas ao homem não foram, pelo menos para já, conhecidas. No entanto, pelo que Maísa contou ao O Globo, o suspeito não ficou em preventiva.

Resta agora saber se o homem é suspeito de ter abusado de mais do que uma paciente ou se Maísa foi a primeira.

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