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Viúva de homem morto com 30 facadas em Alverca aponta responsabilidades ao alegado amante

“Com certeza não dei facada nenhuma. Só posso supor que foi o Bas, eu não vi, mas eu não fui. Eu vi-os num confronto muito forte, muito violento. Assustei-me e corri a pedir ajuda, quando voltei o Filipe estava numa poça de sangue”. Foi desta forma que Sílvia Rosa, de 46 anos, explicou esta segunda-feira em tribunal de que forma o amante neerlandês, 21 anos mais novo, matou o marido de quem se tinha separado 12 dias antes.

Em causa está o homicídio de Filipe Jorge, na garagem de um prédio em Alverca, em fevereiro de 2023. De acordo com Sílvia, que é acusada do crime em coautoria, ela e Bas Ruijter tinham iniciado uma relação amorosa dois anos antes, através de uma aplicação na internet. Os dois foram-se aproximando ao mesmo tempo que “Filipe mantinha relações extraconjugais”, com o jovem neerlandês a viajar com frequência até Portugal. Ele ficava em hotéis de Lisboa, onde se encontrava com Sílvia, mas nunca chegaram a ter relações sexuais porque o amante “sofria de uma fimose grave, que lhe provocava dores intensas”.

A mulher explicou que no dia do crime foi buscar o marido – na altura ainda estavam casados, embora dormissem em camas separadas há vários anos – à estação e o levou até ao prédio onde vivia para dar explicações a uma filha. Bas Ruijter tinha chegado a Portugal na véspera e ficado num hostel em Vila Franca de Xira. “Eu tinha-lhe dito que só estaria disponível depois do almoço, mas quando chegámos e entrámos na garagem ele estava lá”, relatou Sílvia. O confronto entre os dois homens terminou com Filipe Jorge morto com 30 facadas. O alerta foi dado por vizinhos que entretanto chegaram à garagem.

Bas Ruijter, de 25 anos, admitiu em tribunal que trabalhava como estafeta nos Países Baixos e que fazia também “entregas de cocaína e haxixe”. A sessão terminou antes de confessar o crime – o que irá fazer, segundo o advogado de Defesa. Pedro Pestana vai, no entanto, argumentar que o jovem neerlandês estava no momento do crime sob efeito de um “Transtorno Explosivo Intermitente”, uma condição psiquiátrica que se caracteriza por episódios graves e isolados de agressividade desproporcionais ao evento que os desencadeia e que é conhecido vulgarmente com ‘síndrome de Hulk’.

Por esclarecer, para já, está a forma como as duas facas, de 33 e 27 centímetros foram parar às mãos de Bas Ruijter. Tanto o jovem como Sílvia estão atualmente em liberdade, por excesso de prisão preventiva. A mulher trabalha como relações públicas num hotel e Bas em apoio ao cliente, de forma remota, numa empresa de ar condicionado do país natal. O jovem, oriundo de uma família abastada e com ligações ao futebol, perdeu os dois dentes da frente durante o período em que esteve em prisão preventiva.

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