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Homem que burlou Pepe em 320 mil euros foi finalmente detido

O antigo internacional português Pepe deverá ser chamado a depor em tribunal no âmbito da Operação “Cinderela”, investigação que levou à detenção de três administradores judiciais, um advogado e seis empresários. Entre os suspeitos está Manuel S., empresário e amigo do antigo defesa do FC Porto, a quem Pepe emprestou 320 mil euros.

Segundo o Jornal de Notícias, Manuel S., de 80 anos, e a mulher, Rosário J., ligados ao setor do calçado, são suspeitos de terem provocado várias insolvências dolosas nos últimos anos, alegadamente com o apoio de uma rede conhecida como “Máfia das Insolvências”, que terá como figura central o advogado Paulo Topa, atualmente em prisão preventiva há três meses.

Em 2022, Manuel S. terá confidenciado a Pepe que atravessava dificuldades financeiras. Sem conhecimento das alegadas atividades ilícitas do empresário, o ex-jogador aceitou transferir-lhe 320 mil euros. Como garantia do empréstimo, ficou estabelecida uma hipoteca sobre uma moradia de luxo situada em Oliveira de Azeméis. A escritura foi formalizada em maio de 2024, prevendo um empréstimo sem juros e com prazo de reembolso até maio de 2025.

Contudo, dez meses após o prazo acordado, o dinheiro ainda não foi devolvido e a casa já mudou várias vezes de proprietário. O imóvel, adquirido inicialmente pelo casal, passou em 2007 para uma empresa imobiliária de que eram donos. Em 2023, um ano após o empréstimo, foi transferido para outra imobiliária e, dois meses depois, registado em nome de um funcionário do casal. No ano seguinte, aquando da escritura da hipoteca, o imóvel passou para o nome de Rosário J. — apesar de o casal já estar divorciado, continuavam a viver juntos. Um mês depois, a propriedade foi novamente transferida para uma empresa recentemente criada no estado norte-americano do Delaware.

O advogado de Pepe, Manuel Costa Pinho, acredita que o antigo jogador poderá recuperar o montante emprestado. Explicou ao JN que, apesar das várias mudanças de proprietário, a hipoteca continua válida devido ao direito de sequela. Acrescentou ainda que Pepe poderia exigir juros desde maio do ano passado pela falta de pagamento, embora essa hipótese seja pouco provável, tendo em conta a amizade entre ambos.

Dos dez detidos na operação, seis já foram libertados. O casal de Oliveira de Azeméis permanece detido e deverá conhecer esta segunda-feira as medidas de coação. Os suspeitos enfrentam acusações de associação criminosa, corrupção, burla qualificada, insolvência dolosa, falsificação de documentos e branqueamento de capitais.

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