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Idosa que atropelou mortalmente família portuguesa obtém liberdade condicional

A mulher de 80 anos responsável pelo acidente de carro que matou uma família luso-brasileira de quatro pessoas em São Francisco, nos EUA, há dois anos, foi condenada a dois anos de liberdade condicional e suspensão da carta de condução, no passado dia 20 de março.

De acordo com meios de comunicação social internacionais, Mary Fong Lau não terá de cumprir pena de prisão efetiva nem domiciliária. Terá apenas de fazer 200 horas de serviço comunitário.

Em tribunal ficou provado que Mary Fong Lau conduzia a uma velocidade de 112 km/hora quando se despistou contra uma paragem de autocarro, a 16 de março de 2024.

O acidente foi tão violento que provocou a morte da portuguesa Matilde Moncada Ramos Pinto, de 38 anos e de toda a sua família: o marido, de nacionalidade brasileira, Diego Cardoso de Oliveira, de 40 anos, o filho Joaquim de 1 ano e o filho Cauê de apenas três meses.

Em tribunal, Mary declarou-se inocente de todas as acusações feitas contra ela. Apesar disso, através do advogado, Seth Morris, disse que estava “irremediavelmente transtornada” com o acidente.

De acordo com os documentos judiciais, a idosa disse à polícia, na altura do despiste e que foi detida, que não sabia o que tinha acontecido, mas que não conseguiu parar o carro antes do embate. Mary foi acusada de quatro crimes de homicídio, condução negligente, condução em contramão e condução acima do limite legal. Porém, acabou agora por sair em liberdade.

Familiares e moradores dizem que sentença ficou aquém da Justiça

Além de estarem revoltados com a fatalidade, os moradores discordam do juiz Bruce Chan, do Tribunal Superior de São Francisco, que admitiu, antes mesmo de ser conhecida a sentença, que Mary não deveria ser condenada a pena de prisão efetiva, devido aos “remorsos” que sentia e ao facto de, aos 25 anos, ter perdido o marido precisamente num acidente de carro, logo no início do casamento.

“Assim como a família das vítimas ficará para sempre aprisionada na dor e na tragédia, a senhora Mary também passará o resto dos seus dias a viver com a consciência do mal que causou a tantas pessoas”, disse o magistrado.

Algo que os entes queridos de Matilde e restante família não concordam. Para eles, assim como para os procuradores, a sentença ficou muito aquém da justiça que devia ser feita pelo casal e filhos que perderam a vida.

“O tribunal não exige sequer que a Sra. Mary reconheça a sua culpa. Em vez de exigir uma declaração de culpa, o tribunal decidiu que é suficiente que ela se declare inocente. Isto não é Justiça. Isto não é assumir a responsabilidade pela perda de quatro vidas inocentes”, acusou Brooke Jenkins, uma das procuradoras presentes, lembrando que, após o período obrigatório de suspensão, a ré poderá até recuperar a sua carta de condução, o que considera ser “muito preocupante”.

“Ela mostrou que não é uma condutora de confiança nas estradas da Califórnia nem de São Francisco”, concluiu.

Petição com 14 mil assinaturas

Antes da leitura da sentença, lida a 20 de março, familiares e amigos das vítimas mortais lançaram uma petição pública, já assinada por mais de 14 mil pessoas, a pedir justiça “pelas quatro vidas perdidas”.

Na descrição os signatários revelam que estão “profundamente consternados” com a posição do juiz Chan e pediam que Mary fosse condenada de forma “proporcional” ao crime que cometeu e para proteger a comunidade.

Apesar da comunidade local ter respondido em força ao apelo, os magistrados seguiram a linha de Chan e Mary ficou em liberdade condicional.

Família comemorava aniversário de casamento quando morreu

Na altura do acidente, amigos das vítimas revelaram que a família estava em passeio para comemorar o aniversário de casamento. O casal tinha planado ir até ao Jardim Zoológico de São Francisco, quando foi violentamente atropelada.

Matilde Ramos Pinto saiu de Portugal aos 18 anos para estudar teatro em Londres. Contudo, tal como explicou em 2016 ao Sapo Mag, acabou por vingar na área da produção. O casal conheceu-se em Londres e mudou-se depois para os Estados Unidos (EUA), onde Matilde assumiu o cargo de produtora executiva na filial americana da RSA Films.

Diego, por sua vez, era diretor de criação associado da Apple. Teve uma carreira de sucesso em agências de publicidade, como AMV BBDO, Mother e BBH, em Londres (ING), além de AlmapBBDO, Africa e AgênciaClick, no Brasil.

Os dois acabaram por casar e ter dois filhos, Joaquim, de 1 anos, e Cauê, de três meses.

Só que, no dia 16 de março, de 2014, o destino trocou-lhes as voltas e foram atropelados por Mary. Diego e a criança mais velha morreram no imediato e foram declarados mortos no local, enquanto a mãe morreu mais tarde, na sequência dos ferimentos causados. O bebé Caué ainda sobreviveu durante uns dias, mas acabou por morrer a 20 de março.

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