ERC notifica TVI para responder a queixas relacionadas com Cristina Ferreira

Até ao momento, o regulador dos media recebeu “4.400 participações de cidadãos e de movimentos contra a TVI, a propósito de declarações proferidas pela apresentadora Cristina Ferreira, na edição de 14 de abril de 2026 do programa ‘Dois às 10′”.
Estas participações, de acordo com a ERC, “referem-se à alegada violação dos deveres legais e éticos aplicáveis aos operadores televisivos, nomeadamente no que respeita à proteção da dignidade humana, ao respeito pela ética de antena, ao tratamento responsável da informação e à prevenção de discursos que reproduzam estereótipos de género”.
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“Informa-se que até à presente data não deu entrada qualquer queixa formal apresentada pelos pais da vítima” e que “o regulador já notificou o operador TVI para se pronunciar quanto ao teor das participações recebidas”, rematou fonte oficial da ERC.
A diretora de entretenimento e ficção da estação de Queluz, Cristina Ferreira, deu na terça-feira (21 de abril) uma entrevista ao ‘Jornal Nacional’ da TVI, conduzida por José Alberto Carvalho, em que procurou contextualizar as declarações relativas ao caso que está em julgamento, lamentando o sucedido, mas sem pedir desculpas.
Em causa estão as declarações de Cristina Ferreira sobre o caso dos quatro ‘influencers’ acusados de, em 2025, terem violado uma adolescente de 16 anos e filmado os atos sexuais, em Loures, que começaram a ser julgados à porta fechada na segunda-feira, 13 de abril.
“Porque nós temos de falar disto. Porque é assim: mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve? Claro que tem de ouvir, mas alguém entende aquele: ”Não quero mais'”, questionou a apresentadora no programa da TVI, o que gerou polémica, as queixas à ERC e um comunicado da TVI.
De acordo com a acusação do Ministério Público, os arguidos no caso referido têm atualmente entre 18 e 21 anos e respondem por um crime de violação agravado e 27 crimes de pornografia de menores agravados.
Um dos ‘influencers’ está ainda acusado de três crimes de ofensa à integridade física e outro de um da mesma natureza.
O caso remonta a 12 de fevereiro de 2025, quando a vítima se encontrou com os quatro arguidos, então com canais nas redes sociais e públicos significativos, num jardim público em Santo António dos Cavaleiros, concelho de Loures, na área metropolitana de Lisboa.
Segundo a acusação, os atos sexuais, gravados com o telemóvel, terão começado de forma consensual num jardim público e continuado, contra a vontade da vítima, numa garagem próxima.



